quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Clarice e o mundo

Queria poder escrever mais aqui, mas ser mãe em tempo integral não é fácil.
A Clarice está com quase 2 meses agora e está tão linda que tenho vontade de mordê-las de 5 em 5 minutos.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Porquê odiei a cesárea.



Você pode querer saber então do porquê eu fiz a cesárea. Lá vai:
o médico tinha dado um período em que a Clarice provavelmente nasceria e tinha me perguntado o que eu queria, se parto normal ou cesariana. Eu, no fundo, sempre quis que fosse parto normal, mas no decorrer da gestação além de medo eu tinha receio de que na hora tivesse que passar por uma cesárea de emergência e então o meu namorado e pai da Clarice não estaria por perto.
(moramos em São Carlos, mas por conveniência e questões do plano de saúde eu vim ter a nenê em São José do Rio Preto)
Decidi junto com o médico e com o Pedro pela cesárea e marquei o dia. Foi muito ruim tomar essa decisão porque sou totalmente contra marcar o dia do parto, mas eu queria algum fio de segurança de que o Pedro estivesse comigo na hora e agendando ele poderia se programar pra isso. Não deu, a nenê resolveu vir ao mundo antes e então entrei em trabalho de parto no dia 30 de agosto.

Quero deixar claro de novo que cada mulher sabe o que faz com seu corpo e eu não condeno a cesárea. Condeno a forma como ela é disposta para as gestantes, como sendo uma opção "normal".
Uma cirurgia é uma cirurgia, ok? Independente de ser uma cirurgia vista como "tranquila", "corriqueira", "de praxe", é um procedimento de risco agressivo.
Na cesárea há corte de 7 camadas no corpo da mulher: a pele, a gordura, a fáscia muscular, o músculo, o peritônio parietal, o peritônio visceral e enfim o útero.

E aí, você acha ainda que tudo bem? Que é tranquilo, que é de boa, que vai ser mais fácil assim?
Ok, deixa continuar então.

Cortam tudo, tiram o bebê e então eles têm que fechar.
Durante a minha cesárea eu só senti desconforto no procedimento na hora de fechar o corte mesmo. Demora, eu sentia queimação no peito, comuniquei um dos médicos que tava presente na sala e ele disse que era normal, que já estava acabando.
Assim que acaba eles te sedam pra que você descanse daquilo tudo.
Não sei quanto tempo demorou e nem quanto tempo eu fiquei na sala de recuperação. Mas assim que fui pro quarto começou a pior parte.

É uma cirurgia abdominal e se você nunca fez nenhum procedimento cirúrgico que envolva seu abdômen talvez não saiba o quão ruim é quando ele fica lesionado.
Pra deitar, sentar, levantar, comer, falar, andar, abaixar, enfim, pra viver você usa constantemente seu abdômen. A recuperação da cesárea é caótica por isso.
Não tive complicações nem durante a cirurgia, nem depois. Minha recuperação está sendo super rápida, mas mesmo assim é horrível.
Agora imagine, você acabou de ter um filho, um filho que precisa de você, pra aconchegar no colo, pra amamentar, pra trocar fralda, pra dar banho, pra cuidar e você não consegue levantar da cama sem ajuda.
Eu sou uma pessoa de muita sorte porque estou tendo toda a ajuda do mundo: do pai da minha filha, da família dele, da minha família. Acho que se pudessem as pessoas até davam o peito por mim pra que eu descansasse o quanto fosse preciso.
Mas ainda assim, ainda que tenha ajuda eu me sinto na obrigação de ser uma mãe ativa e presente. Sofrer em fazer tarefas simples como vestir minha própria calcinha, abaixar para pegar algo que derrubei ou simplesmente FALAR me deixa em desespero.

Minha filha precisa de mim e eu aqui, com esse corte de 7 camadas totalmente desnecessário.


(Esse texto foi escrito com o intuito de ser seco e direto mesmo. Não coloquei nenhuma questão emocional envolvida durante a cesárea pra não deixar a coisa com ar duvidoso. Tô longe de ser uma pessoa sem sentimentos. Vou escrever sobre “a parte gostosa” depois)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma boa hora?

Estou um pouco desapontada comigo.
Gostaria de ter me preparado melhor pra hora do parto. Eu li bastante coisa sobre partos e é bem óbvio que a realidade hoje gira em torno de uma histeria coletiva que lida com o parto normal como algo inadequado.
Ao meu ver são dois os motivos pra isso acontecer: conveniência médica e total desconhecimento das mães.
É engraçado que gestante geralmente lê livros e livros de como ser uma boa mãe, do que esperar quando se estar grávida, mas nessa parte, na parte que eu considero mais importante pra obter informação ela não quer saber muito.
Não sou "feminazi", não acho que parto só é parto se for normal, não acho que mãe só é mãe de verdade se passar pelo parto normal. Não é isso. Acredito que o melhor parto é aquele em que a mulher se sinta mais confortável. Só acho que fica muita coisa obscura na hora de optar pelo melhor parto.

Se as mulheres se preparassem pra um parto normal sem episiotomia e sem o sofrimento além da medida (sim, eu acredito que é possível) talvez a maioria dos médicos não exercesse esse pequeno poder de praticamente manipular as mulheres a crerem que a cesárea é a melhor opção.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Na mão dos outros



Eu não tenho propriedade pra falar sobre como um médico deve agir. Não fiz faculdade de Medicina, então minhas opiniões são de leiga que procura sintomas no Google.
Mas me deixa curiosa o fato de tanta gente colocar em jogo as questões que levam um médico a insistir na cesárea da gestante.
Cerca de umas 5 mulheres que já tiveram filho me disseram "queria parto normal, mas na hora não tive dilatação". Então eu leio que dilatação demora e não necessariamente essa demora coloca o bebê em risco.
Mas de novo, eu sou leiga. Se o médico vira e fala "vai ter que ser cesárea porque se não seu filho vai morrer" você faz o quê? Bate o pé que ele está errado?
Pois então.
Eu entendo que tem que haver essa relação de confiança gestante-obstetra, mas até que ponto o médico tá te dizendo a verdade?
Fica complicado saber, fica complicado dizer que ele tá mentindo só porque cesárea é um procedimento mais rápido, fácil e confortável para os profissionais de saúde.

Minha gravidez teve o acompanhamento de 4 obstetras diferentes. Não, não foi ao mesmo tempo, lógico. Não tô nesse grau de maluquice.
Mas por conta de vários e vários motivos eu mudei de obstetra quatro vezes.
Só um conversou comigo sobre parto. Não sei se foi porque o acompanhamento foi curto com a maioria, mas eu acho que se uma grávida vai ao seu consultório, mesmo lá no comecinho da gravidez seria bacana conversar com ela sobre os procedimentos, os riscos, as possibilidades, pra que ela possa junto com a família, o marido, o namorado, ou mesmo sozinha tomar a decisão mais confortável.

É super frustrante como lidam com a questão do parto aqui no Brasil. Não sei como é em outros países, mas acho triste o despreparo que a grande maioria das grávidas tem em relação a esse momento e fica praticamente a critério do médico o que fazer.


domingo, 5 de agosto de 2012

Espelho


Nunca gostei da minha barriga.
Sempre fui gordinha na pré-adolescência e por um longo período da adolescência até conseguir emagrecer.
Mesmo no ápice da minha magreza (56kg pra 1,70 de altura) eu não gostava que vissem minha barriga (ou a não existência dela).
Depois que a poeira do susto sobre a gravidez baixou uma das coisas que me veio a cabeça foi: vou embarangar? Vou engordar muito? Vou ficar com estria?  Me apavoraram de todos os lados dizendo que eu tinha que começar a comprar roupa porque as que eu tinha não iam servir mais.
Pode parecer insesibilidade e egoísmo ficar me preocupando com isso e eu não acho que não seja um defeito meu, mas aposto que em algum momento isso passa pela cabeça de toda e qualquer gestante.

Hoje eu tiro foto com a blusa levantada mostrando minha barrigona de 8 meses e mando pros amigos próximos que estão, por enquanto, fisicamente distantes; não me importo se às vezes andando na rua a camiseta suba e parte da minha barriga fique à mostra e  posso ficar longos minutos olhando pra minha barriga no espelho.

Engraçado como as coisas mudam :)



Pra curiosidade geral da nação:
Até o momento, com 8 meses de gestação, eu engordei 6kg e não tive a surpresa de nenhuma estria.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Antes da Hora

Vou ser pai antes da hora. Inverti a ordem das coisas, e vou ser pai antes de ser dono de um império, antes de ganhar meu primeiro milhão, antes de conhecer o mundo, antes de ter uma casa, um carro ou uma empresa de fundo de quintal. Vou ser pai antes de ter um emprego pleno e antes até de me formar da faculdade. No livro de praticamente qualquer pessoa, é antes da hora.

No começo, ficamos meio apavorados. Todos esses planos pareceram implodir e virar pó, e um medo enorme começou pairar sobre a minha cabeça. Não só o medo semi-egoísta de não realizar as coisas que eu queria, mas o medo de não estar preparado para ser bom pai. De ser antes da hora não apenas por não ter realizado as missões planejadas nesse jogo, mas de também não ter acumulado experiência suficiente pra poder fazer ESSA missão do jeito certo (a analogia com videogame foi involuntária).

O que eu sei sobre a vida pra poder ensinar pra outra pessoa? Especialmente pra uma criança que vai OUVIR o que eu tenho a dizer! Com certeza meu cérebro é cheio de informações que eu posso compartilhar, mas duvido que saber citar Senhor dos Anéis ou O Guia do Mochileiro das Galáxias vá ser o suficiente para dar uma lição útil. O medo associado a ser pai antes da hora é o medo de não estar preparado pra ser pai, em todos os sentidos da palavra.

Ser pai antes da hora também gera uma reação social. Algumas pessoas se sentem felizes por você genuinamente (com razão), outras sentem um misto de pena e resignação. Acham que de alguma forma isso "acaba" com a sua vida e só vai gerar dificuldade. Você acaba virando um cautionary tale na boca dessas pessoas. Um mau exemplo.

O que no fundo me leva à perguntar, qual é A Hora? Existe um ponto certo da minha carreira profissional pra falar "vou ter um filho"? Uma idade mínima? Número mínimo de países visitados ou de dígitos na conta bancária? Não. Não tem uma data em que chega na sua casa um manual de como ser pai, e a partir daí você está garantido. Talvez a hora certa seja a hora em que, apesar de ter medo, você sabe que vai fazer o que quer que seja pra tudo funcionar.

Nesse caso, a hora é agora mesmo.

Meu medo de errar virou uma vontade (na verdade mais uma necessidade) de fazer dar certo. Eu sempre quis ser pai, e independente do momento, tenho certeza que vou adorar a experiência. Vou fazer tudo que for possível para ser um bom pai, e também para fazer todo o resto que eu sempre quis. Minha filha não vai ser algo a me atrapalhar, mas mais um motivo pelo qual eu devo fazer tudo certo. E vai dar tudo certo, porque eu vou fazer dar certo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tem muito blog sobre gravidez por aí, eu sei. Eu ficava pensando que talvez seria legal criar um pra contar sobre a minha gravidez porque as famílias são distantes, muitos amigos também são, mas eu pensava na exposição massiva e gratuita que isso teria e quanto eu não queria isso. Mas virou necessidade escrever sobre esse período.
O Twitter e minhas conversas com o Pedro ou com amigos bem próximos não são mais suficientes.

Nunca tive contato próximo com grávidas, não tive contato com primos menores, não tenho irmão ou irmã caçula. Pouquíssimas vezes eu segurei uma criança pequena no colo, nunca um recém-nascido. Trocar fralda então? hahaha. A risada responde.

A Clarice não foi planejada. Viagens, maluquices, compras sim, mas aí ela "veio" antes. Rolou um pavor no começo, um não saber o que fazer, "a gente deve ou não deve?".
Normal, como toda criança que vem não planejada.

Com os dias as coisas foram se encaixando e ainda estão e é nesse encaixe que o blog entra: pra elucidar meus pensamentos, pra deixar dúvidas e pra questionar sobre como as coisas são. Ah, é também pra um dia eu mostrar pra minha filha e a gente rir juntas.