sexta-feira, 30 de agosto de 2013

1 ano de Clarice


Hoje tenho certeza de que sou uma pessoa muito melhor do que há um ano.

Ser mãe despertou em mim uma série de cuidados curiosos que não surgiu necessariamente da gravidez, mas de algo maior: de ser uma eterna responsável.

Clarice é minha responsabilidade, o que ela vai ser, como vai ser, quanto vai ser, é tudo culpa minha.
Vejo uma necessidade incrível de dar pra ela todas as ferramentas pra que ela seja o que bem entender com o maior discernimento possível.
Com isso me tornei uma pessoa mais crítica, em tudo. Passei a me vigiar mais, passei a tentar deixar de lado minha passionalidade por algumas coisas e colocar no papel tudo em que acreditava. Passei a ir atrás de dados e de não deixar de me arrepender.
Sim, arrepender-se é muito importante. É muito bom conseguir chegar ao ponto de dizer "desculpa, errei, fiz errado, estou me corrigindo". E se errar de novo, pedir desculpa de novo e de novo e de novo e não achar que isso é uma fraqueza. 

Clarice me deixou também mais paciente. Todas as vezes que Clarice se debatia no meu colo sem mostrar um pingo de sono quando já deveria estar dormindo eu ganhava paciência.

Clarice me fez ficar mais certa do que eu acreditava. Me fez falar mais em público, em emitir minha opinião sem medo (porque se eu errasse, eu me corrigiria sem nenhuma vergonha). Por causa dela hoje eu brigo, sem vergonha, com a moça que usa sacolinhas no mercado, com gente que fala de maneira preconceituosa, com pessoas que não têm a mínima idéia do quanto o modo que vivem interfere na dinâmica do planeta todo.

Clarice me tornou em uma fortaleza, porque é o meu colo que ela procura quando está triste, com medo ou fragilizada pelo sono. E hoje eu consigo perceber que posso muito mais do que achava que podia, que pra sempre serei forte e segura. 

Clarice também me deixou mais ridícula. É por ela que eu canto em voz alta e faço coreografias sem o menor sentido. É por ela que eu me vejo fazendo barulhos estranhos no mercado pra dela conseguir uma risada.

Hoje, depois de 1 ano que ela nasceu eu posso dizer que por causa dela sou mais paciente, mais forte, sou melhor. E tudo valeu e vale a pena.

domingo, 7 de julho de 2013

Clarice, querida,

Sim, todas as vezes que você chorou eu te peguei no colo com amor e calma (às vezes nem tanta calma assim) e tentei te fazer mais confortável e segura.
Faça das palavras de Gabrielle Hamilton as minhas:

"Nunca entendi pais desalmados que deixam seus filhos "chorarem até cansar". Se considera os choros de seu bebê de três meses como "manipulativos", uma forma de descobrir se ele pode fazer você entrar no quarto e pegá-lo "quando quiser", então deveria começar a repensar a ideia de ter um filho. Francamente, acho que não está madura o bastante. Um bebê certamente não pode se arrastar pela escada e pegar ele mesmo um copo de água, não pode ligar para um amigo próximo, às duas da manhã, para discutir as particularidades dos seus medos e angústias. Sinto compelida - involuntariamente compelida - a pegar no colo e tentar confortar me filho quando o ouço chorando. Meus hormônios se sacodem feito um tanque passando pela rua quando ouço crianças -  crianças num avião, nem são as minhas - chorando de aflição. Tenho vontade de pegar os bichinhos no colo e confortá-los. Afinal de contas, eles estão chorando. Presumo que estejam chorando por uma boa razão - ainda que seja o velho bê-a-bá dos bebês: pegue-me no colo e me abrace porque estou com medo de dormir, porque dormir é como morrer. Pra mim, essa é uma razão boa o bastante para pegar no colo e abraçar meu filho, para que ele possa sentir - no mínimo - que alguém que se importa o está acompanhando em sua experiência de morte."

quarta-feira, 27 de março de 2013

A saga da amamentação


Amamentar não é fácil.
Parece, né? Parece que é instintivo tanto por parte da mãe, quanto do bebê.
Eu sofri pra amamentar. Como a Clarice, infelizmente, nasceu de cesárea o meu leite não desceu assim que ela veio ao mundo.

Acontece o seguinte: se a mulher escolhe pelo parto normal ela passa horas dilatando e seu corpo libera hormônios que colaboram na descida do leite. Assim, quando um nenê nasce de parto normal, fica mais fácil pra ele fazer a pega do peito da mãe. (Sim, cesárea é uma degraça)
De onde obtive essa informação? Pura pesquisa autodidata por curiosidade. Durante o meu pré-natal maluco com 3 obstetras diferentes eu só ouvi que meu bico era bom (depois descobri que existe bico invertido) e de outro que eu deveria esfregar uma bucha nos meus mamilos (doeu em você só de ler isso, né?).
Bom, eu não esfreguei nada e nem conseguiria.

Assim que a Clarice nasceu eu mal fiquei com ela, tiraram-na de perto de mim e fiquei horas sem vê-la. (oi, cesárea é uma desgraça). Depois que enfim pude pegá-la decentemente nos braços, já no quarto, veio uma enfermeira pra colocar ela no meu peito. A mulher só me disse: "cuidado para não tapar o nariz dela". Gente, alguém já viu bebê morrer afogado no peito? Pois é, nem eu. Dica inútil que ela me deu. 
Clarice abocanhou meu peito e nossa, doeu. Apesar de ela não ter nenhum dentinho, doeu. Mas ah, eu tinha lido que era normal, que doía mesmo. Olha, amamentar não deve doer, claro que inicialmente é algo novo, mas deveria ser um leve desconforto e não uma dor propriamente dita. 
Como ela era recém-nascida logo dormiu. Hoje eu sei que naquela hora ela não tinha mamado, foi uma tentativa frustrada da parte dela de mamar e minha de dar o peito.
Meu peito ficou meio moído, é, moído mesmo, ela tinha me machucado, tava meio arroxeado  doía, formou casquinha, um horror.
Uma outra enfermeira, que veio me ajudar no banho, quando viu meus seios disse que se continuasse desse jeito eu não ia conseguir amamentar. Então ela foi consultar o pediatra da Clarice pra iniciar a alimentação com leite artificial.
(Nem vou entrar no mérito de falar mal de leite artificial. Saiba só que ele é altamente alergênico)
Bom, fazer o quê? Deixar minha filha morrendo de fome? Ficar tentando dar o peito mesmo com ela todo machucando e eu querendo chorar de dor?
Provavelmente o que aconteceria se deixasse a Clarice pegar no meu peito de novo, daquele jeito, seria uma inflamação. 
Mas, por que isso aconteceu? Porque meu leite não tinha descida (maldita cesárea) e a nenê puxava sem sucesso.

Foi um saco, eu me sentia inútil, Clarice tomava l.a num copinho já que o uso a mamadeira inviabilizaria a futura amamentação no peito  Era uma gracinha de se ver, todo mundo adorava ver, fazia uma sujeira, dava um trabalho. Se ela chorasse de fome, tinha que ferver água, preparar a mistura, esperar esfriar e ela lá chorando.
Paralelo a isso, eu dava o peito com o bico de silicone depois de toda "mamada" no copinho dela. Esse bico foi minha salvação, estimulava a Clarice a sugar, mas protegia meu seio machucado. Com o tempo eu tirei o bico e enfim a nenê começou a mamar e não doía! 

Hoje eu dou o peito em pé, deitada, de lado, cozinhando, de cabeça pra baixo. Antes era um evento, mesmo de madrugada eu ficava rodeada por pelo menos 3 pessoas enquanto amamentava. Hoje, se consigo acordar o Pedro pra tirar ela do berço e trazer pra mim é uma vitória :P

Amamentar é uma delícia e sei que parte da culpa disso é da ocitocina que é liberada,  tem aquela sensação boa de ter sua filha nos braços, protegida, olhando pra vocês e aos poucos pegando no sono depois de estar com a barriguinha cheia. 
Eu entendo que tem mãe que não consegue amamentar por diversas dificuldades, mas calma e paciência ajudam. Passei por períodos em que achava meu leite pouco, pensava que não tinha mais leite, besteira. O leite vem de acordo com a demanda da criança e quanto mais ela sugar, mais leite.


O melhor momento do meu dia é, sem dúvidas, quando eu coloco a Clarice no peito e ela, ainda com o seio na boca, olha pra mim e sorri.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Não é fácil

Ainda acho estranho pensar que sou mãe. Eu olho pra cara do Pedro e tento me convencer que nós somos pais de uma menina que agora tem 5 meses.E vish, não foram meses fáceis.


Tiveram cólicas que não passaram por nada. É aí que a gente aprende que nenês vão sentir muita dor e tudo o que dá pra fazer é confortá-lo porque a dor mesmo, não passa.

Clarice teve um pediatra por 2 meses que dizia "deixa chorar" e eu deixava, agüentava deixar por no máximo 3 minutos chorando. Me arrependo de um tanto hoje. Criança pequenininha não tem malícia, não sabe fazer manha, se chora é porque quer alguma coisa, e essa coisa bem pode ser simplesmente colo, falta de carinho.



O problema da Clarice naquele momento eram as cólicas e ir pro colo acalmava, deixava-a  mais segura.
Hoje eu sei disso, sei que ela não chora sem motivo, e me arrependo de cada segundo que deixei ela chorando.
Mas as cólicas passaram, demoraram, mas passaram e não tem o que aliviar uma crise de cólica. Não adianta, pode dizer o remédio, o método, o que for. Tentamos de tudo: remédio de gente grande, remédio natural, homeopatia, almofadinha que aquece a barriga, massagem.
Cada nenê é um nenê, não dá pra me passar uma receita e dizer "essa funciona". Cólica não tem remédio, tem alívio, mas quando vem a crise, ela vem que vem e aí é ter calma e paciência.

#chatiada e com olheiras


Tudo com criança pequena é isso: calma e paciência. Ficar sem paciência não vai adiantar, vai deixar a criança agitada, nervosa, insegura e aí vem mais choro. O negócio é ter sempre amor nos braços e um olhar que passe segurança.
Essa é a parte mais difícil. Muitas e muitas vezes eu quis estapear a Clarice pra ela não me deixar dormir, pra ela parar de se debater no meu colo, pra ela parar de chorar, mas daí eu parava  e pensava "ela é só um bebê, ela não tá fazendo isso pra me irritar,não bate nela!"

Depois das cólicas veio a coceira na gengiva /o\ aliás, é nessa fase que estamos.

É cruel ser um bebê, é dor atrás de dor, é como se o mundo te dissesse que ele é duro e que pra permanecer nele você precisasse passar por muito sofrimento.