Você pode
querer saber então do porquê eu fiz a cesárea. Lá vai:
o médico tinha dado um período
em que a Clarice provavelmente nasceria e tinha me perguntado o que eu queria,
se parto normal ou cesariana. Eu, no fundo, sempre quis que fosse parto normal,
mas no decorrer da gestação além de medo eu tinha receio de que na hora tivesse
que passar por uma cesárea de emergência e então o meu namorado e pai da
Clarice não estaria por perto.
(moramos em
São Carlos, mas por conveniência e questões do plano de saúde eu vim ter a nenê
em São José do Rio Preto)
Decidi junto
com o médico e com o Pedro pela cesárea e marquei o dia. Foi muito ruim tomar
essa decisão porque sou totalmente contra marcar o dia do parto, mas eu queria
algum fio de segurança de que o Pedro estivesse comigo na hora e agendando ele
poderia se programar pra isso. Não deu, a nenê resolveu vir ao mundo antes e
então entrei em trabalho de parto no dia 30 de agosto.
Quero deixar
claro de novo que cada mulher sabe o que faz com seu corpo e eu não condeno a
cesárea. Condeno a forma como ela é disposta para as gestantes, como sendo uma
opção "normal".
Uma cirurgia
é uma cirurgia, ok? Independente de ser uma cirurgia vista como "tranquila",
"corriqueira", "de praxe", é um procedimento de risco
agressivo.
Na cesárea há corte de 7 camadas no corpo da mulher: a pele,
a gordura, a fáscia muscular, o músculo, o peritônio parietal, o peritônio
visceral e enfim o útero.
E aí, você
acha ainda que tudo bem? Que é tranquilo, que é de boa, que vai ser mais fácil
assim?
Ok, deixa continuar então.
Cortam tudo, tiram o bebê e então eles têm que fechar.
Durante a
minha cesárea eu só senti desconforto no procedimento na hora de fechar o corte
mesmo. Demora, eu sentia queimação no peito, comuniquei um dos médicos que tava
presente na sala e ele disse que era normal, que já estava acabando.
Assim que
acaba eles te sedam pra que você descanse daquilo tudo.
Não sei
quanto tempo demorou e nem quanto tempo eu fiquei na sala de recuperação. Mas
assim que fui pro quarto começou a pior parte.
É uma
cirurgia abdominal e se você nunca fez nenhum procedimento cirúrgico que
envolva seu abdômen talvez não saiba o quão ruim é quando ele fica lesionado.
Pra deitar, sentar, levantar, comer, falar, andar, abaixar,
enfim, pra viver você usa constantemente seu abdômen. A recuperação da cesárea
é caótica por isso.
Não tive complicações nem durante a cirurgia, nem depois.
Minha recuperação está sendo super rápida, mas mesmo assim é horrível.
Agora
imagine, você acabou de ter um filho, um filho que precisa de você, pra
aconchegar no colo, pra amamentar, pra trocar fralda, pra dar banho, pra cuidar
e você não consegue levantar da cama sem ajuda.
Eu sou uma
pessoa de muita sorte porque estou tendo toda a ajuda do mundo: do pai da minha
filha, da família dele, da minha família. Acho que se pudessem as pessoas até
davam o peito por mim pra que eu descansasse o quanto fosse preciso.
Mas ainda
assim, ainda que tenha ajuda eu me sinto na obrigação de ser uma mãe ativa e
presente. Sofrer em fazer tarefas simples como vestir minha própria calcinha, abaixar
para pegar algo que derrubei ou simplesmente FALAR me deixa em desespero.
Minha filha
precisa de mim e eu aqui, com esse corte de 7 camadas totalmente desnecessário.
(Esse texto
foi escrito com o intuito de ser seco e direto mesmo. Não coloquei nenhuma
questão emocional envolvida durante a cesárea pra não deixar a coisa com ar
duvidoso. Tô longe de ser uma pessoa sem sentimentos. Vou escrever sobre “a
parte gostosa” depois)
Lívia, concordo com vc. Acredito que qualquer procedimento cirúrgico que pode ser evitado, deve ser evitado mesmo. Mas levando em consideração tudo o que você falou sobre insegurança....foi perfeitamente aceitável (não sei se é bem essa a palavra) a sua decisão.
ResponderExcluirQue bom que tem bastante gente ajudando, mas melhor ainda a sua vontade de ficar bem para poder cuidar da Clarice.
Achei até bastante sutil a sua maneira de expor tudo isso hehehe! :P