quarta-feira, 27 de março de 2013

A saga da amamentação


Amamentar não é fácil.
Parece, né? Parece que é instintivo tanto por parte da mãe, quanto do bebê.
Eu sofri pra amamentar. Como a Clarice, infelizmente, nasceu de cesárea o meu leite não desceu assim que ela veio ao mundo.

Acontece o seguinte: se a mulher escolhe pelo parto normal ela passa horas dilatando e seu corpo libera hormônios que colaboram na descida do leite. Assim, quando um nenê nasce de parto normal, fica mais fácil pra ele fazer a pega do peito da mãe. (Sim, cesárea é uma degraça)
De onde obtive essa informação? Pura pesquisa autodidata por curiosidade. Durante o meu pré-natal maluco com 3 obstetras diferentes eu só ouvi que meu bico era bom (depois descobri que existe bico invertido) e de outro que eu deveria esfregar uma bucha nos meus mamilos (doeu em você só de ler isso, né?).
Bom, eu não esfreguei nada e nem conseguiria.

Assim que a Clarice nasceu eu mal fiquei com ela, tiraram-na de perto de mim e fiquei horas sem vê-la. (oi, cesárea é uma desgraça). Depois que enfim pude pegá-la decentemente nos braços, já no quarto, veio uma enfermeira pra colocar ela no meu peito. A mulher só me disse: "cuidado para não tapar o nariz dela". Gente, alguém já viu bebê morrer afogado no peito? Pois é, nem eu. Dica inútil que ela me deu. 
Clarice abocanhou meu peito e nossa, doeu. Apesar de ela não ter nenhum dentinho, doeu. Mas ah, eu tinha lido que era normal, que doía mesmo. Olha, amamentar não deve doer, claro que inicialmente é algo novo, mas deveria ser um leve desconforto e não uma dor propriamente dita. 
Como ela era recém-nascida logo dormiu. Hoje eu sei que naquela hora ela não tinha mamado, foi uma tentativa frustrada da parte dela de mamar e minha de dar o peito.
Meu peito ficou meio moído, é, moído mesmo, ela tinha me machucado, tava meio arroxeado  doía, formou casquinha, um horror.
Uma outra enfermeira, que veio me ajudar no banho, quando viu meus seios disse que se continuasse desse jeito eu não ia conseguir amamentar. Então ela foi consultar o pediatra da Clarice pra iniciar a alimentação com leite artificial.
(Nem vou entrar no mérito de falar mal de leite artificial. Saiba só que ele é altamente alergênico)
Bom, fazer o quê? Deixar minha filha morrendo de fome? Ficar tentando dar o peito mesmo com ela todo machucando e eu querendo chorar de dor?
Provavelmente o que aconteceria se deixasse a Clarice pegar no meu peito de novo, daquele jeito, seria uma inflamação. 
Mas, por que isso aconteceu? Porque meu leite não tinha descida (maldita cesárea) e a nenê puxava sem sucesso.

Foi um saco, eu me sentia inútil, Clarice tomava l.a num copinho já que o uso a mamadeira inviabilizaria a futura amamentação no peito  Era uma gracinha de se ver, todo mundo adorava ver, fazia uma sujeira, dava um trabalho. Se ela chorasse de fome, tinha que ferver água, preparar a mistura, esperar esfriar e ela lá chorando.
Paralelo a isso, eu dava o peito com o bico de silicone depois de toda "mamada" no copinho dela. Esse bico foi minha salvação, estimulava a Clarice a sugar, mas protegia meu seio machucado. Com o tempo eu tirei o bico e enfim a nenê começou a mamar e não doía! 

Hoje eu dou o peito em pé, deitada, de lado, cozinhando, de cabeça pra baixo. Antes era um evento, mesmo de madrugada eu ficava rodeada por pelo menos 3 pessoas enquanto amamentava. Hoje, se consigo acordar o Pedro pra tirar ela do berço e trazer pra mim é uma vitória :P

Amamentar é uma delícia e sei que parte da culpa disso é da ocitocina que é liberada,  tem aquela sensação boa de ter sua filha nos braços, protegida, olhando pra vocês e aos poucos pegando no sono depois de estar com a barriguinha cheia. 
Eu entendo que tem mãe que não consegue amamentar por diversas dificuldades, mas calma e paciência ajudam. Passei por períodos em que achava meu leite pouco, pensava que não tinha mais leite, besteira. O leite vem de acordo com a demanda da criança e quanto mais ela sugar, mais leite.


O melhor momento do meu dia é, sem dúvidas, quando eu coloco a Clarice no peito e ela, ainda com o seio na boca, olha pra mim e sorri.


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